Documentos da Receita indicam repasses de R$ 80 milhões de banco a escritório de esposa de Moraes
Dados enviados à CPI mostram pagamentos realizados pelo Banco Master à banca de Viviane Barci de Moraes entre 2024 e 2025
Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, no Senado, revelam que o Banco Master despejou mais de R$ 80 milhões nas contas do escritório de advocacia Barci de Moraes Sociedade de Advogados, que pertence a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Os registros fiscais, detalhados em relatórios entregues aos parlamentares nesta terça-feira (7), referem-se a serviços de consultoria prestados entre os anos de 2024 e 2025.
De acordo com os dados obtidos pelo Fisco, somente no ano de 2024, o escritório recebeu cerca de R$ 40,11 milhões da instituição financeira. O contrato original firmado entre as partes previa um montante total de R$ 129 milhões, divididos em parcelas mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões por um período de três anos. No entanto, os pagamentos foram interrompidos em novembro de 2025, após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central e a prisão de seu fundador, Daniel Vorcaro, no âmbito da Operação Compliance Zero.
A defesa do escritório Barci de Moraes informou que os valores são compatíveis com a complexidade dos serviços realizados e com a estrutura mobilizada para atender o banco. Segundo nota divulgada pela banca, a consultoria envolveu uma equipe de 15 advogados e o apoio de outros três escritórios especializados. As atividades incluíram a revisão de programas de compliance, prevenção à lavagem de dinheiro e análise estratégica de processos judiciais. O escritório ressaltou ainda que não houve atuação em causas perante o Supremo Tribunal Federal.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), questionou a proporcionalidade dos honorários durante a sessão da comissão. O parlamentar destacou que o volume de recursos pagos por consultorias que somaram 267 horas de reuniões levanta dúvidas sobre a natureza da contraprestação de serviço. Os dados fiscais foram solicitados após a comissão identificar que as informações sobre os repasses diretos não constavam na primeira remessa de documentos enviada pela Receita Federal.
O ministro Alexandre de Moraes não se manifestou sobre as revelações dos dados fiscais. Em ocasiões anteriores, o magistrado e o STF mantiveram a posição de que as atividades profissionais de familiares de ministros, quando exercidas dentro da legalidade e no setor privado, não configuram irregularidade. No final de 2025, a Procuradoria-Geral da República já havia arquivado um pedido de investigação sobre o caso, alegando falta de indícios de ilicitude em negócios jurídicos entre entes particulares.
O vídeo abaixo apresenta uma análise detalhada sobre como os novos dados da Receita Federal impactam a credibilidade da Corte e os desdobramentos políticos das notas oficiais emitidas por Alexandre de Moraes e sua esposa.
