Receita revela pagamentos do Banco Master a ex-presidente, ex-ministros e políticos
Dados enviados à CPI do Crime Organizado detalham repasses milionários que somam R$ 65,8 milhões entre 2023 e 2025
Documentos sigilosos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado revelaram uma extensa lista de pagamentos realizados pelo Banco Master a figuras de destaque do cenário político brasileiro. Segundo os relatórios, a instituição financeira, controlada por Daniel Vorcaro, declarou repasses que somam R$ 65,8 milhões para escritórios de advocacia, consultorias e empresas ligadas a ex-ministros, dirigentes partidários e até um ex-presidente da República.
Os dados fiscais indicam que o volume desses pagamentos cresceu 27 vezes em apenas dois anos, saltando de R$ 1,5 milhão em 2023 para R$ 41,7 milhões em 2025. Entre os principais beneficiários citados nos documentos estão:
- Michel Temer: O escritório de advocacia do ex-presidente recebeu R$ 10 milhões por serviços de mediação jurídica. Temer afirmou que a contratação ocorreu após ele deixar a vida pública e que o trabalho foi técnico.
- Ricardo Lewandowski: A banca ligada à família do ex-ministro do STF e ex-ministro da Justiça recebeu R$ 6,1 milhões. Lewandowski informou que prestou consultoria institucional após sair da Corte e que suspendeu suas atividades no escritório ao assumir o Ministério da Justiça em 2024.
- Henrique Meirelles: O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central recebeu R$ 8,6 milhões por consultoria macroeconômica e financeira de caráter opinativo entre 2024 e 2025.
- Guido Mantega: O ex-ministro da Fazenda recebeu pagamentos por consultoria econômica formalizada via contrato, afirmando desconhecer qualquer irregularidade do banco na época.
- ACM Neto: O ex-prefeito de Salvador e dirigente do União Brasil também aparece na lista de repasses para atividades de consultoria.
Além desses nomes, os registros da Receita Federal detalham pagamentos ao escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, no valor de R$ 40,11 milhões em 2024, como parte de um contrato de consultoria e compliance. Também foram identificados repasses ao presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e a empresas ligadas ao Grupo Massa, da família do governador do Paraná, Ratinho Jr.
As defesas de todos os citados afirmam que os serviços foram efetivamente prestados, com contratos formais, emissão de notas fiscais e recolhimento de impostos. Alegam ainda que as contratações ocorreram dentro da legalidade e no âmbito da iniciativa privada. O Banco Master, por sua vez, enfrenta um período de crise após a prisão de seu acionista controlador, Daniel Vorcaro, em março de 2026, sob suspeita de irregularidades financeiras.
A CPI do Crime Organizado, que teve acesso aos dados após a quebra de sigilo fiscal da instituição, investiga se os repasses foram utilizados para exercer influência política em Brasília. O relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), destacou que os novos documentos são fundamentais para entender a rede de relacionamentos do banco no momento em que a instituição buscava expandir sua atuação e resolver problemas regulatórios junto a órgãos do governo.
