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Publicado: 10 de abril de 2026 às 09:24

IPCA surpreende e acelera para 0,88% em março, impulsionado por alimentos e transportes

Inflação oficial supera as projeções do mercado e acumula alta de 4,12% em 12 meses, colocando pressão sobre a autoridade monetária

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou uma alta de 0,88% em março de 2026. O resultado, divulgado nesta manhã pelo IBGE, veio acima das expectativas do mercado financeiro, que projetava uma variação em torno de 0,77%, segundo a mediana das estimativas coletadas pela Reuters.

Com este desempenho, a inflação acumulada nos últimos 12 meses subiu para 4,12%, superando os 4% previstos anteriormente. O movimento interrompe uma trajetória de estabilidade e acende o sinal de alerta para o Comitê de Política Monetária (Copom), especialmente em um cenário onde se discutia a manutenção do ritmo de cortes na taxa básica de juros, a Selic.

Principais vilões do mês

A aceleração do índice foi puxada principalmente pelos grupos de Alimentos e Bebidas e Transportes, que juntos responderam por mais da metade do impacto no índice mensal:

  • Alimentos: A alta nos preços de itens básicos, como cereais e hortaliças, foi intensificada por fatores climáticos que afetaram a safra de verão em regiões produtoras do Sul e Sudeste.
  • Transportes: O reajuste nos combustíveis e o aumento sazonal nas passagens aéreas contribuíram para elevar os custos de logística e deslocamento da população.
  • Educação: O setor ainda reflete resíduos dos reajustes de mensalidades escolares, que costumam pressionar o índice no primeiro trimestre do ano.

Reação do Mercado e Perspectivas

A surpresa negativa com o dado do IPCA gerou uma reação imediata nos contratos de juros futuros e no mercado de câmbio. Economistas apontam que a inflação de serviços continua apresentando uma "inércia" preocupante, o que dificulta a convergência para o centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Análise: "O número de março mostra que a batalha contra a inflação ainda não foi vencida. O núcleo do IPCA, que exclui itens voláteis, continua rodando em níveis elevados, o que pode forçar o Banco Central a adotar uma postura mais conservadora nas próximas reuniões", afirma um analista de macroeconomia.

Agora, as atenções se voltam para a próxima divulgação do IPCA-15 e para as atas do Banco Central, em busca de sinalizações sobre como a autoridade monetária irá reagir ao descolamento das expectativas de inflação para o restante de 2026.