Desembargadora que criticou corte em auxílios utiliza SUV de luxo custeado pelo Tribunal
Magistrada do Mato Grosso, que viralizou ao reclamar de "restrições orçamentárias" em sessão oficial, tem à disposição veículo oficial avaliado em R$ 175 mil com motorista particular.
O caso da desembargadora Maria Erotides Kneip, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), ganhou um novo capítulo que acirrou o debate sobre os privilégios do Judiciário brasileiro. Após ter reclamado publicamente do corte de "penduricalhos" (benefícios extras) em seus rendimentos, revelou-se que a magistrada usufrui de um veículo de luxo, modelo Toyota Corolla Cross, integralmente mantido pelos cofres públicos.
A polêmica começou durante uma sessão administrativa, na qual a desembargadora expressou descontentamento com a redução de gratificações, alegando que os cortes impactavam a dignidade da função. Contudo, dados do Portal da Transparência e informações do tribunal confirmam que, além do salário que frequentemente ultrapassa o teto constitucional devido a benefícios cumulativos, a estrutura de apoio à magistrada permanece robusta.
Os Detalhes do Benefício
O veículo à disposição da desembargadora não é uma exceção isolada, mas parte de uma frota renovada para atender a cúpula do tribunal. Os custos associados ao uso do carro incluem:
- Valor do Ativo: O SUV é avaliado em aproximadamente R$ 175 mil.
- Manutenção e Combustível: Todas as despesas de revisão, seguro e abastecimento são pagas pelo erário.
- Motorista Particular: A magistrada conta com um servidor ou terceirizado exclusivo para conduzi-la, custo que também recai sobre o orçamento do Judiciário.
Repercussão e Críticas
A exposição do uso do carro oficial após as queixas por "falta de dinheiro" gerou uma onda de críticas em redes sociais e entre entidades que monitoram os gastos públicos. Especialistas em contas públicas apontam uma "desconexão com a realidade econômica do país", especialmente em um estado onde o setor produtivo e o funcionalismo público de base enfrentam rígidos controles de gastos.
O que diz o Tribunal: Em notas anteriores sobre o uso de veículos oficiais, o TJ-MT defende que a medida visa garantir a segurança e a celeridade do deslocamento dos magistrados, sendo uma prerrogativa prevista em normas internas e resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O Contexto dos "Penduricalhos"
A reclamação da magistrada se refere a cortes em verbas indenizatórias, como auxílio-alimentação, auxílio-moradia e gratificações por acúmulo de funções, que muitas vezes fazem com que a remuneração líquida de desembargadores chegue a dobrar em relação ao salário base. Em 2026, a pressão da sociedade e de órgãos de controle tem forçado tribunais a revisarem essas concessões, o que tem gerado resistência interna na magistratura.
O episódio da desembargadora Maria Erotides tornou-se o símbolo mais recente do embate entre a manutenção de privilégios históricos e a demanda por maior austeridade e transparência no uso do dinheiro público no Brasil.
