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Publicado: 22 de abril de 2026 às 13:55

Crise Diplomática: Brasil convoca representante dos EUA após expulsão de delegado da PF

Governo Trump ordena saída de delegado brasileiro envolvido no caso Ramagem; Washington acusa policial de "uso político" de agências americanas para perseguir aliados de Bolsonaro.

A relação entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca sofreu seu abalo mais severo desde o início de 2026. O governo brasileiro convocou formalmente a encarregada de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília para prestar esclarecimentos após o governo de Donald Trump ordenar a expulsão imediata do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho.

O delegado, que atuava como oficial de ligação em Miami, foi declarado persona non grata por Washington. A acusação é de que ele teria tentado manipular o sistema de imigração dos EUA para forçar a extradição de Alexandre Ramagem, ex-diretor da ABIN e atual aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, sem seguir os canais diplomáticos e jurídicos regulares.

O Pivô da Crise: O "Caso Ramagem" em Orlando

A tensão escalou após a prisão de Ramagem na Flórida, no dia 13 de abril. O ex-deputado, que possui mandados de prisão em aberto no Brasil relacionados à investigação do "8 de janeiro", foi detido por uma infração de trânsito que revelou um visto vencido.

No entanto, o que deveria ser um processo de deportação comum tornou-se uma disputa política:

  • Ação da PF: O delegado Marcelo Ivo teria pressionado agentes do ICE (Imigração e Alfândega dos EUA) para que Ramagem fosse colocado em um voo para o Brasil imediatamente, contornando o processo de asilo solicitado pelo brasileiro.
  • Intervenção de Trump: O governo americano interpretou a ação como uma "operação clandestina" de perseguição política em solo estrangeiro. Dois dias após a prisão, Ramagem foi solto por ordem direta de Washington e recebeu permissão de permanência provisória.

Reação em Brasília e Washington

O Itamaraty classificou a expulsão do delegado como uma medida "desproporcional" e "atípica" para países que mantêm cooperação policial histórica. Em nota, o governo brasileiro defendeu que o oficial estava apenas cumprindo seu dever de localizar e facilitar o retorno de um foragido da Justiça brasileira.

Por outro lado, o porta-voz do Departamento de Estado americano foi enfático:

"Os Estados Unidos não permitirão que suas agências de segurança sejam usadas como ferramentas de retaliação política por governos estrangeiros. Respeitamos a soberania brasileira, mas exigimos respeito às nossas leis migratórias e ao devido processo legal."

Impactos na Cooperação Policial

SetorConsequência Imediata
Escritório da PF nos EUASuspensão temporária de novas missões de cooperação em Miami e Orlando.
ExtradiçõesProcessos de outros brasileiros foragidos nos EUA (como Allan dos Santos) devem sofrer atrasos ou negativas.
DiplomaciaEsfriamento das relações bilaterais em temas de segurança e inteligência.

Exportar para as Planilhas

O episódio marca o fim da "lua de mel" diplomática e evidencia o alinhamento do governo Trump com figuras da direita brasileira que se dizem vítimas de "perseguição judicial". Para o Brasil, a soltura de Ramagem e a expulsão do delegado representam uma derrota política significativa e um obstáculo nas investigações sobre as tramas golpistas de 2022/2023.

O delegado Marcelo Ivo de Carvalho deve desembarcar no Aeroporto de Brasília nas próximas 48 horas, encerrando prematuramente sua missão nos Estados Unidos.