Flávio Bolsonaro anuncia candidatura à Presidência em 2026:
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, lançou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto para as eleições de 2026, com o aval direto do pai, atualmente preso em Brasília.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, lançou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto para as eleições de 2026, com o aval direto do pai, atualmente preso em Brasília. O anúncio, feito por meio de uma postagem no X (antigo Twitter) na tarde desta sexta-feira (5), marca o início de uma estratégia familiar para manter viva a influência bolsonarista no cenário nacional, em meio a desafios judiciais e polarizações políticas crescentes.
O anúncio e o aval de Jair Bolsonaro
Flávio, 43 anos, confirmou a decisão em uma mensagem carregada de emoção e responsabilidade, enfatizando o apoio do pai como a "maior liderança política e moral do Brasil". O ex-presidente, detido na Superintendência da Polícia Federal desde ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria conferido pessoalmente a "missão" ao filho para prosseguir com o "projeto de nação" iniciado em 2018.
A postagem no X, que inclui um vídeo e acumula milhares de interações em poucas horas, reflete o tom combativo típico da família: "Eu não posso, e não vou, me conformar ao ver o nosso país caminhar por um tempo de...". O texto completo destaca a continuidade de pautas como segurança pública, valores conservadores e críticas ao establishment, temas centrais do bolsonarismo.
Trajetória política de Flávio: do Rio à Brasília
Flávio Bolsonaro construiu sua carreira política nas sombras – e ao lado – do pai. Eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro em 2002, aos 21 anos, foi reeleito em 2006 e 2010, sempre pelo PSC. Em 2018, migrou para o PSL e conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados, mas optou pela eleição ao Senado em 2018, onde assumiu em 2019 pelo então PSL (hoje PL).
Sua trajetória não foi isenta de controvérsias: investigações como o caso das "rachadinhas" no seu gabinete na Alerj geraram inquéritos e buscas, embora ele negue irregularidades e afirme perseguição política. Formado em jornalismo pela Universidade Nove de Julho, com especialização em jornalismo digital pela ESPM, Flávio tem raízes no jornalismo: passou por veículos como Comunique-se (de estagiário a editor-chefe), SBT News e o site do Canal Rural. Atualmente, atua como editor-assistente no site da Revista Oeste, o que reforça sua proximidade com círculos conservadores e midiáticos alinhados à direita.
Implicações para 2026: o bolsonarismo sem Bolsonaro?
O anúncio de Flávio surge em um contexto de reconfiguração da direita brasileira. Com Jair Bolsonaro inelegível até 2030 por decisão do TSE, devido ao 8 de janeiro de 2023 e fake news eleitorais, a família busca um sucessor natural. Flávio, com seu perfil mais "institucional" que o do irmão Carlos (vereador) ou Eduardo (deputado federal), pode atrair aliados moderados do PL e Centrão, enquanto mantém a base radicalizada.
Analistas veem o movimento como uma jogada para unir o campo conservador fragmentado: Tarcísio de Freitas (governador de SP) e Michelle Bolsonaro também são cotados, mas Flávio representa a "continuidade direta". No entanto, desafios são evidentes: a prisão do ex-presidente pode galvanizar apoiadores, mas também alienar eleitores moderados preocupados com instabilidade institucional. Além disso, o PL, sob liderança de Valdemar Costa Neto, precisará navegar alianças regionais para evitar diluição do voto anti-PT.
Reações iniciais nas redes foram polarizadas: bolsonaristas celebram com hashtags como #Flavio2026, enquanto opositores ironizam o "herdeiro do clã" em meio a escândalos pendentes. Partidos como PT e PSOL já criticam o anúncio como "extremismo familiar", prevendo uma campanha suja.
O que esperar da pré-campanha
Sem detalhes sobre estratégias ou alianças divulgados até o momento, Flávio deve focar em pautas como economia liberal, combate à corrupção (ironicamente) e defesa da liberdade de expressão. Visitas a estados-chave, como o Rio e São Paulo, e eventos com pastores evangélicos – base fiel do bolsonarismo – devem marcar os próximos meses.
Com o Brasil se preparando para um pleito marcado por reformas fiscais e tensões internacionais, a candidatura de Flávio Bolsonaro promete reacender o duelo Lula x Bolsonarismo, agora na segunda geração. Resta saber se o "projeto de nação" resistirá às urnas – ou se será mais um capítulo na saga de uma família que redefine a política brasileira.
