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Publicado: 09 de dezembro de 2025 às 08:09

Cuidado com Jornais e Pesquisas: Como Governos Compram Influência para Manipular a Opinião Pública

Especialistas alertam para o aumento de casos de interferência estatal em veículos de comunicação e enquetes eleitorais, que distorcem a realidade e ameaçam a democracia

Em um mundo cada vez mais conectado, a manipulação da informação por governos se tornou uma ferramenta poderosa para moldar a percepção pública e influenciar eleições. Jornais subsidiados e pesquisas de opinião "encomendadas" são armas sutis usadas para criar narrativas favoráveis ao poder, muitas vezes sem que a população perceba. Relatórios internacionais, como os da Universidade de Oxford e da Freedom House, revelam que pelo menos 59 países empregam "trolls estatais" em redes sociais para atacar opositores e disseminar desinformação. No Brasil e no mundo, o alerta é claro: desconfie de fontes que parecem alinhadas demais com o governo, pois o custo para a democracia pode ser alto.

A prática não é nova, mas ganhou escala com a digitalização. Governos autoritários e até democracias liberais usam verbas públicas para "comprar" cobertura midiática positiva ou enquetes que inflacionam sua popularidade. Em 2025, casos recentes nos EUA, Rússia e China destacam como essa manipulação afeta eleições e opiniões públicas, criando bolhas de realidade falsa que polarizam sociedades.

Exemplos Globais de Manipulação Midiática por Governos

Relatórios da Brookings Institution e do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica da França) apontam que redes sociais são o principal vetor de influência. Durante campanhas eleitorais, atores estatais espalham desinformação sobre datas de votação ou locais de urnas para suprimir o voto opositor. Aqui vão alguns casos notórios:

  • Rússia e EUA (2025): A Rússia tem sido acusada de criar sites falsos que imitam jornais americanos para disseminar propaganda pró-Kremlin, conforme revelado pela Politico. Em agosto de 2025, uma operação spoofing replicou veículos respeitados para influenciar debates sobre eleições, misturando fatos com mentiras para erodir a confiança no sistema democrático.
  • China e Rússia em Parceria: Um relatório do CEPA (Center for European Policy Analysis) de junho de 2025 destaca a convergência entre Pequim e Moscou em "manipulação de informação estrangeira", usando bots e trolls para interferir em processos democráticos ocidentais, incluindo a promoção de narrativas anti-OTAN.
  • Filipinas e Turquia: De acordo com o The Guardian, governos como os de Rodrigo Duterte (Filipinas) e Recep Tayyip Erdogan (Turquia) empregam "exércitos de formadores de opinião" nas redes sociais para impulsionar agendas e silenciar críticos. Em 2017, 30 países já faziam isso; em 2025, o número subiu para dezenas, incluindo uso de enquetes manipuladas para simular apoio popular.
  • EUA sob Trump: Em 2025, ataques à imprensa independente escalaram, com ameaças de cortes de financiamento a NPR e PBS (ACLU), e processos contra a BBC por reportagens críticas (DW). A Human Rights Watch criticou o relatório de direitos humanos do governo americano por omissões e spins políticos, manipulando dados para beneficiar aliados.

No Brasil, embora não haja casos recentes explícitos em 2025, histórico de subsídios a veículos de comunicação e questionamentos sobre enquetes eleitorais durante campanhas passadas servem de alerta. Posts em redes como X (antigo Twitter) discutem manipulações em eleições canadenses e americanas, onde governos liberais ou conservadores supostamente influenciam mídias para distorcer resultados de pesquisas.

Como Funciona a Compra de Jornais e Pesquisas

Governos alocam verbas publicitárias ou subsídios diretos para jornais alinhados, garantindo cobertura favorável. Pesquisas "compradas" envolvem metodologias enviesadas, como amostras seletivas ou perguntas tendenciosas, para inflar aprovação. Um estudo da Universidade de Oregon mostra que mídias sociais permitem que políticos contornem jornalistas tradicionais, comunicando diretamente com o público – mas com risco de bolhas informacionais.

Em 2025, a guerra na Ucrânia e eleições nos EUA amplificaram isso: atores estatais usam deepfakes e bots para espalhar fake news, conforme o New York Times. No X, usuários denunciam manipulações em eleições canadenses, onde mídias estatais como a CBC são acusadas de viés pró-governo, influenciando enquetes para sugerir vitórias improváveis.

Dicas para se Proteger da Manipulação

Para não cair em armadilhas, siga estas orientações baseadas em relatórios da Freedom House e Oxford:

  1. Diversifique fontes: Consulte múltiplos veículos, incluindo independentes e internacionais, para comparar narrativas.
  2. Verifique enquetes: Cheque metodologias (tamanho da amostra, margem de erro) e financiadores. Sites como FactCheck.org ajudam.
  3. Desconfie de unanimidade: Se todos os jornais alinhados ao governo dizem o mesmo, busque contraponto em mídias alternativas.
  4. Use ferramentas de checagem: Apps como Google Fact Check ou redes como X Community Notes expõem mentiras.
  5. Eduque-se sobre bots: Relatórios mostram que 70% das interações em eleições envolvem contas automatizadas; ignore perfis suspeitos.

Implicações para a Democracia em 2025

A manipulação midiática erode a confiança em instituições, como visto na perda de credibilidade do FBI e da medicina pós-Covid (Freedom House). Em democracias, isso leva a polarização extrema, facilitando autoritarismos digitais. No Brasil, com eleições municipais se aproximando, o alerta é urgente: uma população manipulada vota contra seus interesses.

Especialistas como os da Brookings recomendam leis para transparência em financiamentos midiáticos e regulação de algoritmos. Enquanto isso, o cidadão comum deve ser o guardião da verdade. Fique atento: o que você lê pode não ser o que realmente acontece.