Prefeito de Marabá acusa Lula de suspender repasse federal para show de Zezé Di Camargo por perseguição política
Toni Cunha (PL-PA) denuncia bloqueio de verba do Ministério do Turismo após críticas do cantor ao governo; "Dinheiro do povo não pode ser usado para retaliação pessoal", afirma
O prefeito de Marabá, no sudeste do Pará, Toni Cunha (PL), acusou diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de determinar a suspensão de um repasse federal do Ministério do Turismo destinado a custear um show do cantor sertanejo Zezé Di Camargo na cidade. Em vídeo publicado em suas redes sociais, o gestor municipal classificou a medida como "perseguição política" motivada por críticas recentes do artista ao governo federal e ao PT.
Segundo Cunha, o evento já havia sido oficialmente divulgado, com contrato firmado com o cantor, quando o recurso foi bloqueado sem justificativa técnica ou administrativa. "Esse dinheiro não é seu, é um dinheiro do suor do povo brasileiro e existem brasileiros em Marabá. Você não poderia, por conta de um sentimento pessoal, cancelar o repasse desses recursos para um show já anunciado e já contratado. Você está causando prejuízo a Marabá e o povo de Marabá também vota", declarou o prefeito, dirigindo-se ao presidente.
Ele reforçou a acusação ao afirmar que o governo pratica "tudo aquilo que diz combater". "O cantor Zezé de Camargo vive da sua música, não de votos e eleições. Lamentavelmente, vocês praticam tudo aquilo que vocês dizem combater. Está realizando perseguição política com um dinheiro que nem é seu, é do povo brasileiro", completou.
O episódio ganha contornos políticos em meio à polêmica envolvendo Zezé Di Camargo e o governo. Recentemente, o cantor criticou duramente o SBT por receber Lula e o ministro Alexandre de Moraes em evento de lançamento de um canal de notícias, acusando as herdeiras de Silvio Santos de "prostituírem" a emissora. Lula rebateu chamando a atitude de "cretinice". Dias depois, Zezé publicou nota pedindo desculpas à família Abravanel pela expressão usada, mas manteve o tom crítico à presença de figuras do governo na emissora.
A denúncia de Toni Cunha reforça o discurso da oposição de que o governo federal usa instrumentos orçamentários para retaliar críticos, mesmo os não políticos. Até o momento, o Ministério do Turismo e o Palácio do Planalto não se manifestaram oficialmente sobre o caso específico. O valor exato do repasse suspenso não foi divulgado.
A controvérsia ocorre em um momento de tensão entre Executivo e municípios oposicionistas, com debates nacionais sobre cortes e bloqueios em emendas e repasses. O caso em Marabá destaca como polêmicas culturais e midiáticas podem interferir em ações locais, prejudicando, segundo o prefeito, a população que aguardava o evento.
