Eletronuclear tem caixa suficiente para apenas três meses, alerta presidente interino
Alexandre Caporal busca renegociação de dívidas com BNDES e Caixa para evitar suspensão de pagamentos; restrição de financiamento ameaça projetos como Angra 3 e extensão de usinas existentes
A Eletronuclear, estatal responsável pela operação das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2 e pela construção de Angra 3, enfrenta grave crise de liquidez, com recursos em caixa suficientes para honrar compromissos por apenas cerca de três meses. O alerta foi feito pelo diretor-presidente interino, Alexandre Caporal, em entrevista ao portal g1.
"A Eletronuclear tem recursos em caixa suficientes para honrar compromissos por cerca de 3 meses", afirmou Caporal. Para contornar a situação, a empresa negocia a renegociação de empréstimos com bancos públicos, como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a Caixa Econômica Federal. O objetivo é ampliar o prazo de liquidez no curto prazo e evitar a suspensão de pagamentos financeiros.
A controladora da Eletronuclear, a ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional), tem adotado medidas paliativas, como postergação de prazos e rolagem de instrumentos de dívida, para evitar déficit no ano e ganhar tempo até a definição de soluções estruturais. No entanto, a restrição de financiamento para a estatal pressiona o equilíbrio financeiro, com postergação de pagamentos e rearranjos de dívida em curso.
Sem acesso ampliado a crédito de longo prazo, a Eletronuclear pode enfrentar dificuldades para cumprir obrigações financeiras e contratuais, o que ameaça a execução de projetos essenciais do setor elétrico. Entre eles estão a extensão da vida útil das usinas nucleares existentes (Angra 1 e 2) e a continuidade das obras de Angra 3.
O financiamento para concluir Angra 3 permanece indefinido. Em novembro de 2025, um estudo do BNDES concluiu que finalizar o projeto é mais vantajoso economicamente do que abandoná-lo, mas a falta de recursos trava avanços.
A crise de liquidez na Eletronuclear destaca desafios enfrentados por estatais do setor energético em meio a restrições orçamentárias e de crédito. As negociações com instituições públicas são vistas como caminho para estabilidade imediata, enquanto soluções de longo prazo dependem de decisões governamentais e regulatórias. A empresa não divulgou valores exatos de caixa ou dívidas, mas o alerta reforça a urgência de medidas para preservar a geração nuclear, que representa cerca de 3% da matriz elétrica brasileira.
