Votorantim vende controle da CBA para gigantes do setor por R$ 4,7 bilhões
Operação transfere fabricante brasileira de alumínio para joint venture formada pela chinesa Chinalco e pela anglo-australiana Rio Tinto.
O Grupo Votorantim concluiu a venda de sua participação majoritária na Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para um consórcio internacional liderado pela chinesa Chinalco e pela anglo-australiana Rio Tinto. O negócio, avaliado em aproximadamente R$ 4,7 bilhões, envolve a transferência de 68,6% do capital total e votante da empresa. A transação marca um movimento estratégico de desinvestimento do grupo brasileiro em um setor que exige aportes bilionários para expansão.
A operação foi estruturada por meio de uma joint venture na qual a Chinalco deterá a maior fatia, enquanto a Rio Tinto deve ficar com cerca de 30% do controle. O valor acordado foi de R$ 10,50 por ação, patamar ligeiramente superior ao valor de mercado da companhia no momento do anúncio. Com a conclusão da venda, os novos controladores planejam realizar uma oferta pública de aquisição (OPA) para as participações minoritárias remanescentes, consolidando o controle total da fabricante.
O interesse das gigantes globais pela CBA foi impulsionado, em grande parte, pelo potencial de expansão da empresa, especialmente o projeto Rondón. Localizado na Amazônia, o projeto consiste na exploração de uma mina de bauxita e exigiria investimentos estimados em US$ 2,5 bilhões. A Votorantim buscava um parceiro para viabilizar esse aporte, mas as tratativas evoluíram para a venda integral do controle, diante do interesse da Chinalco em ampliar sua presença no mercado sul-americano de metais básicos.
Atualmente, a CBA conta com mais de 7.200 funcionários e possui um modelo de negócio integrado, que inclui desde a mineração até a produção de alumínio e a geração de energia renovável própria. A mudança de comando deve trazer novos investimentos em tecnologia e sustentabilidade para a operação brasileira, alinhando-a aos padrões globais de eficiência das novas controladoras.
O negócio ainda está sujeito à aprovação de órgãos reguladores, mas é visto pelo mercado como uma demonstração da força do capital estrangeiro em ativos estratégicos do Brasil. Para a Votorantim, o capital levantado deve ser redirecionado para outros setores do portfólio do grupo, mantendo a estratégia de diversificação e foco em ativos com maior sinergia logística e financeira.
