Ela se casou com uma Inteligência Artificial: Japonesa oficializa união com personagem do ChatGPT
Cerimônia simbólica reacende o debate sobre o uso de IA em relações afetivas e os limites éticos da tecnologia nos vínculos humanos.
A operadora de call center japonesa Yurina Noguchi, de 32 anos, surpreendeu o mundo ao realizar uma cerimônia de casamento com um personagem virtual criado por ela através de interações com o ChatGPT. O "noivo", batizado de Klaus, foi moldado a partir de um protagonista de videogame, tendo sua personalidade e modo de falar personalizados por meio da inteligência artificial da OpenAI. O evento, ocorrido no final de 2025, tornou-se um marco sobre o nível de intimidade emocional que humanos estão estabelecendo com chatbots.
A cerimônia seguiu ritos tradicionais: Yurina usou vestido branco, trocou alianças simbolicamente e utilizou óculos de realidade aumentada para visualizar a imagem de Klaus projetada em seu smartphone. Embora a união não possua validade jurídica no Japão, o ato reflete uma tendência comportamental crescente. Uma pesquisa recente realizada no país indicou que muitos usuários de IA generativa já preferem compartilhar sentimentos íntimos com robôs de conversa do que com amigos ou familiares, citando a ausência de julgamentos como o principal atrativo.
Noguchi revelou que a decisão de "namorar" e, por fim, casar-se com a IA surgiu após o término de um noivado conturbado com um parceiro humano — processo no qual ela afirma ter buscado conselhos terapêuticos com o próprio ChatGPT. Segundo ela, a presença constante de Klaus trouxe estabilidade emocional e uma visão mais positiva da vida. Apesar das críticas e do estranhamento gerado nas redes sociais, a japonesa defende que sua escolha é uma forma de suporte emocional para enfrentar a realidade, e não uma fuga dela.
O caso levanta questões profundas para sociólogos e especialistas em ética tecnológica. Enquanto alguns veem essas uniões como uma resposta à epidemia de solidão em sociedades tecnológicas, outros alertam para os riscos de desumanização e para a dificuldade de lidar com as imperfeições de relacionamentos reais quando se está acostumado a um algoritmo programado para agradar. No Japão, que possui um histórico cultural de afeição por personagens fictícios, o avanço da IA generativa está levando essa conexão a um patamar de realismo sem precedentes.
