PF retém conteúdo de 52 celulares do 'Caso Master' e trava acesso do STF aos dados
Apesar de três meses de investigação na Operação Compliance Zero, a Polícia Federal ainda não compartilhou o conteúdo das mensagens extraídas com o Supremo Tribunal Federal; material sensível incluiria citações a autoridades com foro privilegiado.
Blindagem e sigilo sobre os dispositivos
A Polícia Federal (PF) mantém sob sigilo absoluto o conteúdo de 52 aparelhos celulares apreendidos no âmbito das investigações sobre o Banco Master. Mesmo após a liberação das senhas por parte de muitos dos investigados e meses de perícia, os dados detalhados das comunicações ainda não foram enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF). O material é considerado o "coração" da investigação, que apura crimes de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Conflito de competência e citações a autoridades
O impasse no compartilhamento dos dados ocorre em um momento de alta sensibilidade política. Informações preliminares indicam que as mensagens contêm menções a autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função, o que tem sido utilizado como argumento para impedir que a apuração seja declinada para a 1ª Instância. O sigilo imposto pela PF dificulta o monitoramento da Corte sobre o alcance real do esquema, que já provocou uma crise de relatoria envolvendo o ministro Dias Toffoli e o atual relator, André Mendonça.
Troca de relatoria e novas diretrizes
Recentemente, o ministro André Mendonça assumiu o caso após a revelação de conexões entre o ministro Dias Toffoli e o fundador do banco, Daniel Vorcaro. Em uma de suas primeiras decisões de 2026, Mendonça autorizou a PF a realizar perícias sem restrições em cerca de 100 dispositivos eletrônicos (incluindo os 52 celulares mencionados), derrubando limitações impostas anteriormente. A expectativa é que o "fluxo ordinário" de informações seja restabelecido, permitindo que a PGR e o STF tenham acesso à íntegra das provas.
O impacto financeiro do Caso Master
A investigação sobre o Banco Master é considerada um dos maiores escândalos financeiros recentes no país. A liquidação extrajudicial da instituição e do Will Bank revelou um rombo estimado em R$ 47,3 bilhões, o maior da história bancária brasileira. A PF apura se o grupo forjava resultados financeiros e se houve pressão indevida sobre autoridades do Banco Central para evitar a liquidação, o que torna o conteúdo dos celulares apreendidos crucial para desvendar a rede de influências do banco em Brasília.
