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Publicado: 28 de março de 2026 às 09:26

Jair Bolsonaro passa primeira noite em casa após 125 dias de prisão preventiva

Ex-presidente deixou o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal na noite de sexta-feira sob medidas cautelares rigorosas.

O ex-presidente Jair Bolsonaro passou sua primeira noite de liberdade em sua residência, em Brasília, após permanecer 125 dias detido preventivamente. A soltura ocorreu na noite desta sexta-feira, 27 de março de 2026, logo após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, assinar o alvará de soltura. Bolsonaro estava recolhido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como "Papudinha", desde o final de 2025, no âmbito das investigações que apuram suposta tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

A decisão de Moraes que permitiu o retorno do ex-presidente para casa veio acompanhada de uma série de restrições severas. Bolsonaro está proibido de manter contato com outros investigados no processo, não pode utilizar redes sociais e teve seu passaporte retido. Além disso, ele deverá utilizar tornozeleira eletrônica e está impedido de deixar o país ou se ausentar de sua residência durante o período noturno e nos finais de semana, configurando um regime de recolhimento domiciliar.

Recepção e manifestações políticas

Ao chegar em sua casa, em um condomínio no bairro Jardim Botânico, Bolsonaro foi recebido por um grupo de apoiadores e parlamentares aliados que o aguardavam na entrada. Apesar das restrições de comunicação, o clima entre os aliados era de celebração, com registros de fogos de artifício em pontos isolados da capital federal. A defesa do ex-presidente emitiu uma breve nota afirmando que a soltura é um passo fundamental para o exercício do contraditório e que Bolsonaro cumprirá rigorosamente todas as determinações judiciais impostas pela Corte.

O entorno da residência contou com reforço na segurança por parte da Polícia Federal e da Polícia Militar para garantir a ordem e evitar aglomerações excessivas. Interlocutores próximos ao ex-presidente afirmaram que ele pretende dedicar os primeiros dias em casa ao convívio familiar e à organização de sua estratégia jurídica junto aos advogados, uma vez que o processo segue tramitando sob sigilo em Brasília.

Contexto jurídico e próximos passos

A soltura de Bolsonaro ocorre em um momento de alta tensão política, coincidindo com críticas internacionais sobre o sistema judiciário brasileiro feitas em fóruns no exterior. Juristas explicam que a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares indica que o magistrado considerou que o risco à ordem pública ou à instrução criminal diminuiu, embora a gravidade das acusações permaneça inalterada. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia se manifestado em ocasiões anteriores sobre a manutenção das restrições para evitar interferências nas investigações ainda em curso.

A expectativa agora recai sobre o andamento das ações penais no STF. Com o ex-presidente em liberdade vigiada, a fase de coleta de depoimentos e análise de provas periciais deve ganhar celeridade. Caso haja qualquer descumprimento das medidas fixadas por Alexandre de Moraes, a prisão preventiva poderá ser decretada novamente de forma imediata, conforme prevê o Código de Processo Penal.