Ataque da cigarrinha-do-milho gerou prejuízo de R$ 133,1 bilhões ao agronegócio brasileiro
Estudo revela o impacto devastador do complexo de enfezamentos na produtividade nacional entre as safras de 2020 e 2024
A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) consolidou-se como a maior ameaça fitossanitária para a cultura do milho no Brasil, acumulando um impacto financeiro direto de R$ 133,1 bilhões entre os anos de 2020 e 2024. O levantamento, que consolida dados de produtividade e perdas em campo, destaca que o inseto é o principal vetor do "complexo de enfezamentos", doença que compromete o desenvolvimento das plantas e a formação das espigas.
A praga, que antes era considerada secundária, ganhou relevância dramática devido às mudanças nos sistemas de cultivo, como a sucessão de safras e a presença de milho voluntário (tiguera) durante todo o ano, o que serve de "ponte verde" para a sobrevivência e multiplicação do inseto. A perda bilionária não considera apenas a quebra de safra, mas também o aumento exponencial nos custos de produção, decorrente da necessidade de múltiplas aplicações de inseticidas e biológicos.
O mecanismo do prejuízo
O dano causado pela cigarrinha não é direto pela sucção da seiva, mas sim pela transmissão de microrganismos (molicutes e vírus) durante a alimentação. Uma vez infectada, a planta apresenta:
- Enfezamento Pálido e Vermelho: As folhas perdem a capacidade de fotossíntese e as espigas tornam-se pequenas, mal granadas ou inexistentes.
- Encurtamento de Entrenós: A planta não atinge sua estatura normal, resultando em plantas raquíticas.
- Quebra de Produtividade: Em casos severos, as perdas podem chegar a 100% em áreas onde o manejo não foi realizado no estágio inicial da cultura.
Desafios no Manejo
A análise dos dados aponta que a região Sul e o Centro-Oeste foram as mais afetadas no período, onde o milho safrinha (segunda safra) é um pilar econômico. O custo para o controle da praga subiu drasticamente, pressionando a margem de lucro dos produtores rurais. Além disso, a rápida evolução da resistência da cigarrinha a determinados grupos químicos forçou a indústria a investir pesado em variedades de milho mais tolerantes e em soluções de controle biológico.
Especialistas do setor alertam que, apesar de o montante de R$ 133,1 bilhões ser alarmante, ele serve como um divisor de águas para a adoção de estratégias de manejo regionalizado. O controle eficaz da praga exige a eliminação do milho tiguera, o tratamento de sementes e, principalmente, o monitoramento populacional rigoroso para que as aplicações ocorram no momento exato, evitando desperdícios e garantindo a sustentabilidade da lavoura.
A expectativa para os próximos ciclos é que a intensificação das práticas de manejo integrado consiga estancar a curva de crescimento desses prejuízos, mas a cigarrinha permanece no topo da lista de preocupações de cooperativas e produtores individuais em todo o território nacional.
