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Publicado: 18 de dezembro de 2025 às 09:04

Mercado digital brasileiro movimenta R$ 14 bilhões, mas alta taxa de mortalidade preocupa empreendedores

Especialista Bettina Rudolph alerta para erros comuns que levam ao fechamento precoce de negócios online e defende estratégia consistente para sustentabilidade

O mercado de negócios digitais no Brasil registrou faturamento superior a R$ 14 bilhões em 2024, segundo dados da Associação Brasileira de Marketing Digital (ABMD), consolidando-se como um setor promissor. No entanto, a alta taxa de mortalidade de empreendimentos – cerca de metade fecha antes de completar três anos, conforme pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) – revela desafios persistentes para iniciantes.

Bettina Rudolph, fundadora do Grupo Líbertas e especialista em formação de empreendedoras digitais, atribui os fracassos principalmente à falta de estratégia clara e consistência. “Empreender online não é diferente de empreender no físico: exige estratégia, posicionamento e consistência. Muitas mulheres desistem porque começam de forma desordenada, sem um método claro e sem acreditar no valor do próprio conhecimento”, explica Rudolph.

Entre os erros mais comuns identificados pela especialista estão: subestimar o próprio conhecimento profissional para transformá-lo em produtos digitais; iniciar com ofertas de baixo valor, como e-books baratos, que geram receita insuficiente para cobrir custos de produção e divulgação; e aplicar múltiplas estratégias simultaneamente, o que fragmenta o foco e impede a análise de resultados efetivos.

Para escapar dessa estatística, Rudolph recomenda escolher uma única estratégia, aprofundar-se nela e executá-la até o fim antes de ajustes. “Quando você escolhe uma estratégia, se aprofunda e executa até o fim, os resultados tendem a aparecer. O problema é que grande parte desiste no meio do processo”, afirma. Comunicação genuína com a audiência também é essencial para validar ideias rapidamente e construir uma base de clientes fiéis.

O Grupo Líbertas oferece o programa ZD (Do Zero ao Digital), voltado para mulheres que desejam transformar experiências em produtos digitais lucrativos, com foco em posicionamento, construção de autoridade, vendas e lançamentos. O objetivo é levar as participantes a faturarem os primeiros R$ 100 mil em até 12 meses. Um exemplo citado é o da médica Juliane Stall, que alcançou R$ 150 mil em apenas dois meses de curso – valor superior ao seu rendimento anual anterior como plantonista.

Especialistas do setor destacam que, apesar dos obstáculos iniciais, o mercado digital continua atraente pela baixa barreira de entrada e potencial de escalabilidade. A chave para longevidade, segundo Rudolph, reside na disciplina: “Não existe fórmula mágica, mas existe método e ele começa quando você decide parar de pular de estratégia em estratégia”.